DR. NO: A PRIMEIRA AVENTURA DE 007 NO CINEMA

Olá amigos, estou de volta continuando as intrépidas e bem aventuradas crônicas bondianas, apesar do conhecimento sobre o agente mais famoso do cinema, fazemos sempre uma pesquisa para afiar mais ainda e trazer mais curiosidades sobre os filmes, livros , games e tudo que envolver e for pertinente a mitologia BOND. Vamos dissertar um pouquinho sobre a primeira aventura de 007 nos cinemas, que bebe na fonte literária de Ian Fleming; sendo a obra original escrita em 1958, dando sequência a DA RÚSSIA COM AMOR (FROM RUSSIA WITH LOVE), onde 007 vai para ilha da Jamaica, recuperado do envenenamento causado por Rosa Klebb, investigar o desaparecimento do agente Strangways, enquanto este investigava um cientista recluso chamado Julius No, no Brasil foi lançado inicialmente com nome Terror no Caribe e posteriormente ao filme , O satânico DR.NO.

Desenvolturas de Flemming:

Antes de 007 ir para as telas dos cinemas, seu criador tentou adaptar seus livros a para um show de televisão, e assim foi com Casino Royale com Barry Nelson em 1954, já Dr.No, foi adaptado como um show para televisão, denominado Commander Jamaica , mas o produtor desistiu e Fleming adaptou no formato de novela chamado The Wound man e chegamos então a 1962, quando Fleming procurou Harry Saltzman, vice presidente da United Artists e este pensando o quanto financeiramente seria o custo para aquisição dos direitos da obra, associa-se a Albert “Cubby”Broccoli, juntos criam a DANJAQ para retenção dos direitos e a EON, para a produção e adaptação dos livros a sétima arte, assim estava consolidada a parceria que levaria a obra de Fleming as telas.

A complicada escolha do intérprete:

Para a escolha do agente 007, Harry Saltzman de cara queria Roger Moore; justamente por ser um ator britânico, e todos sabemos, que Roger só assumiria o terno no filme de 1973; Live and Let Die, um amigo do editor Peter Hunt: Ben Fish, apresenta um ex vendedor de leite, modelo escocês, para o diretor Terence Young, que o ensina a maneira Bond, de viver, beber, falar com sotaque, e acabou convencendo os produtores, Fleming no entanto não gostou da escolha, dizendo que queria um ator britânico para o papel de bond

Fazendo o 1ºBond:

Tendo para os papéis de bond girls as atrizes Eunice Gayson como Sylvia Trench e Ursula Andress como Honey Ryder e para o papel de Julius No, foi escolhido o ator Joseph Wiseman, as filmagens tem início em 16 de janeiro de 1962 na Jamaica, localidade ambientada também no livro, onde James Bond, foi enviando por M a famosa ilha do mar das caraíbas, para investigar o assassinato do agente Strangways e sua secretária, e acaba descobrindo uma trama para desestruturar o programa espacial norte americano. O veterano Ken Adam produziu neste filme os famosos sets e covis de base dos vilões, que seria marca registrada na série.

THE JAMES BOND THEME:

Para trilha sonora foram chamados os compositores Mont Norman e John Barry, que criaram o arranjo mais famoso da história do cinema, que casa perfeitamente com a famosa GUNBARREL, criada por Maurice Binder, THE JAMES BOND THEME, que viria a fazer parte da tradição dos filmes de James Bond, é praticamente impensável, a trilha é uma marca indelével, sui generis, não há um filme de 007 onde não se perceba a trilha e reconheça que se trata de um filme do maior agente de todos os tempos e também faz parte da história do cinema, e o primeiro filme de 007 não teve uma música-tema, mas Terence Young, queria uma música cultural que arremetesse o clima caribenho da Jamaica, e então creditou a Byron Lee and Dragonaires a música JUMP UP, que de certa forma faz parte da trilha assim como a famosa canção Underneath the mango tree, entoada na antológica e deliciosa cena em que a bond girl Honey Ryder (Ursula Andress) sai da água com seu famoso biquíni, essas canções não possuem o peso e a grandiosidade de Goldfinger interpretada com grandeza por dame Shirley Bassey, mas ajudou a promover bem a primeira aventura do famoso agente.

O filme com orçamento modesto que não alcançava 1 milhão de dólares, foi desacreditado pelos executivos da United Artists, único estúdio a seguir com a empreitada após veemente recusa de vários estúdios, as críticas foram pesadas, onde diziam : Não vamos exibir um filme onde temos um estivador de porto no papel principal”, porém o filme fez bonito, rendeu nos EUA U$ 16 milhões de dólares e U$ 60 milhões no mundo todo, estabelecendo então o famoso filme de espionagem, o filme seguinte em 1963 teve um orçamento de U$ 2 milhões.

Curiosidades:

Fleming ofereceu o papel de Dr.No, a ator de dramaturgo Noel Coward, que responde por telegrama DR.NO? NO! NO! NO! então Joseph Wiseman foi escolhido para o papel, que participou também de Thunderball em 1965 fazendo a voz de Blofeld o todo-poderoso da organização SPECTRE.

Noel Coward
Joseph Wiseman

O ator Christopher Lee era primo de Ian Fleming, e também foi cogitado para viver Dr.No , mas só conseguiu participar da série em 1974 , como o vilão SCARAMANGA.

Christopher Lee

O estúdio UNITED ARTISTS do Japão, interpretou mal o título do filme, e colocaram nos pôsteres DR?NO! e assim ficou como “NÓS NÃO QUEREMOS MÉDICOS”, felizmente o engano foi descoberto a tempo e no Brasil o título não trazia a palavra 007.

A idéia inicial era que Sylvia Trench (Eunice Gayson) aparecesse nos filmes seguintes; e poderia até se tornar a Sra Bond; no entanto a personagem apareceu em apenas mais um filme, Moscou contra 007 (1963), a atriz dublou todas as vozes femininas de Dr. No incluindo a voz da atriz Zena Marshall (Miss.Taro) no entanto não aparece nos créditos.

Eunice Gayson

Apesar de tanto tempo, e algumas situações obviamente datadas, DR.NO, é um dos filmes mais elogiados da série, e deu start para que os filmes de 007 se tornassem, cada vez mais grandiosos, gerando sucesso, atrás de sucesso, estabelecendo a chamada BONDMANIA, nos filmes seguintes.

Obrigado por lerem até aqui e até a próxima pessoal.
Alexandre Rodrigues Pamplona, fã de 007 de carteirinha assinada e agradece a todos que comentarem.